quarta-feira, 23 de setembro de 2026

El trabajador de la música: Víctor Jara por Bruno Doucey

Levántate y mira la montaña

De donde viene el viento, el Sol y el agua

Plegaria a un Labrador - VÍCTOR JARA

Víctor Jara (1932-1973) cantava aos ventos do sul o respeito e admiração pela sua terra. Aqui, refiro-me a terra que se estende além da longitude chilena. Víctor, acompanhado de sua guitarra trabajadora, falava de seu povo, de sua cultura, de sua ancestralidade, a proteção das montanhas, a secura do deserto umedecida pelo Oceano Pacífico e o direito de viver em paz nesta terra.

Parece com imagens do escritor Víctor Jara

sábado, 19 de setembro de 2026

Os últimos anos de Pablo Neruda em O carteiro e o poeta (Skármeta)

Em junho de 1969, Mario Jimenéz trocou o ofício de pescador pelo de carteiro. Com sua bicicleta, ele entregava cartas, encomendas e telegramas na enseada Isla Negra, onde a maioria era analfabeta. No entanto, com Pablo Neruda na vizinhança, era muito claro que as cartas tinham um destinatário em especial (e único) naquela porção norte de San Antonio, no litoral do Chile.

À beira do Oceano Pacífico é o lugar de fala e leitura de Ardiente Paciencia, o primeiro título da obra que, posteriormente foi alterada para El cartero de Neruda (O Carteiro e o Poeta), publicada em 1985 por Antonio Skármeta (1940-2024). Contemporâneo de Pablo Neruda (1904-1973), Skármeta nasceu em Antofagasta nos anos 40 e, neste livro, fica claro a admiração pelo poeta chileno.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Para entender o agora: Sistemas de Comunicação Popular (Joseph Luyten)

colagem digital várias telas de computador
delírio recortado

Comunicação. É preciso, para quem vive dela, entendê-la. Por isso, a leitura de Sistemas de Comunicação Popular faz-se necessária. Ela é um fenômeno inato a nós, viva, logo, em constante alternância, seja para evoluir, seja para regredir em termos de progresso e seus efeitos positivos na sociedade.

Em 1988, o professor holandês, radicado no Brasil, Joseph Luyten (1941-2006) publicou o livro Sistemas de Comunicação Popular, mais uma para a vasta coleção da Editora Ática. Essa é uma obra de grande importância para entender não somente a Teoria da Comunicação, como o que a sustenta.

Na época, Luyten poderia ou não prever o progresso excessivo e a forma mais curiosa e assustadora que seu objeto de estudo se tomaria. Um verdadeiro Frankenstein. 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Entre dores e Dolores: Ithálo Furtado

Viver é assassinar, a todo instante, os males da hora já gasta.

Dolores (e os remédios pra dormir) é um romance profundamente introspectivo, uma literatura que pesa à mente pela sua delicadeza problematizadora. Escrito pelo piauense Ithalo Furtado, este seu segundo livro, publicado em 2016, nos apresenta uma série de cartas registrados pela narradora-personagem Vâmila Santisteban.

Diante de sua angústia existencial, Vâmila escreve cartas a destinatários que jamais a responderão, e sequer a lerão. Escreve para David Bowie, a artista plástica Frida Kahlo, o poeta T.S. Eliot... Escreve para nós, suas leitoras, seus leitores.

Brasília, 2025

O que me tornei? O que fiz com a criança que sonhava absurdos tão bonitos enquanto todo mundo já dava sinais de fuga? Alguns pegaram o trem e nunca mais voltaram. Outros fincaram suas raízes na estação. Mas, a grande maioria não hesitou em decidir e, com o coração nas mãos, se atirou nos trilhos.

sábado, 5 de setembro de 2026

Abraham Moles e o Kitsch: notas sobre gadgets, supermercados e felicidade

O Kitsch é a mercadoria ordinária, uma secreção artística derivada da venda de produtos de uma sociedade em grandes lojas que assim se transformam, a exemplo das estações de trem, em verdadeiros templos. (p. 10)

Quando o clássico se torna inalcançável, alternativas emergem para permitir que uma parcela menos abastada da sociedade tenha acesso a conteúdos similares — como as queridas réplicas. É nessa mescla de originalidade e mediocridade que o Kitsch surge, não propriamente como um movimento, mas como um apelo estético.

O filósofo francês da estética Kitsch Abraham Moles (1920-1992) nos apresenta a etimologia, o cerne desse estilo glorioso. Kitsch é derivado de kitschen, palavra alemã utilizada na região sul do país para designar a produção de móveis novos a partir de móveis velhos. Outra mescla etimológica, com um tom mais pejorativo, designa trapacear, vender algo diferente do que havia sido acordado. A partir desta definição, é entendível a ideia de arte em sua forma mais vulgar possível. Uma secreção.