segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Construindo o Museu da Globalização com Néstor García Canclini

Octavio Podestá

 Em Leitores, espectadores e internautas (2008), Néstor García Canclini, antropólogo e escritor argentino, nos convida a transitar por uma leitura fluída e sem cronologia rígida. Em ordem alfabética Canclini nos apresenta uma espécie de glossário dos tempos modernos.

É estranho pensar a antropologia em nossa novíssima ordem mundial. Estamos habituados a enxergar essa ciência à leitura da sociedade do passado. No entanto, Canclini torna sua antropologia didática ao analisar o presente com este título.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Notas sobre A ordem do discurso de Michel Foucault


Quando falamos, escrevemos ou até mesmo pensamos, raramente nos damos conta de que nossas palavras não nascem do nada. É por isso que nasceu Michel Foucault. Para muitos, eu e você sabemos, mas também para dizer que o discurso não é aquilo que ouvimos de políticos. Não somente...

Essa trama de enunciados é o que sustenta nossas práticas sociais. Vozes, regras, exclusões e acontecimentos.

Preferiria dar-me conta de que, no momento de falar, uma voz sem nome me precedia desde há muito: bastar-me-ia assim deixá-la ir, prosseguir a frase, alojar-me, sem que ninguém se apercebesse, nos seus interstícios, como se ela me tivesse acenado, ao manter-se, um instante, em suspenso. 

L'Ordre du discours

A partir de A ordem do discurso (1971) de Michel Foucault compreendemos como nossos enunciados são configurados por estruturas históricas e sociais muito mais profundas do que imaginamos, muito mais profunda que a própria imaginação!

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Sobre aquele que nunca ganhou o Nobel, sobre Jorge Luis Borges

O pensamento do escritor argentino Jorge Luis Borges está vivo. Ele se encontra na extensa coleção da Editora Martin Claret com o título O Pensamento Vivo

Imagens repetidas do escritor Jorge Luis Borges

Essa é uma coletânea de pensamentos, aforismos, citações e frases notáveis do escritor, que faleceu um ano após o publicação do livro da Martin Claret, em 1986, aos 86 anos. Ela vai reunir em um formato que lembra os jornais dos anos 70 ou suplementos literários, de uma forma muito dinâmica e extensa, mas sem cansar o leitor. Para além da estrutura, que vai se manter a mesma como o restante da coleção, esse livro dá impressão de estarmos na escrivaninha deste escritor argentino, ouvindo suas opiniões e histórias.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Deus não conversa, um livreto de Pedro Port

Há poucos anos atrás, minha irmã voltou de Floripa com um livreto alaranjado, seu título era Deus não conversa. Era um livro do poeta gaúcho Pedro Port, publicado pela Edições Delos, uma iniciativa própria do autor com apoio do artista franco-manezinho Rodrigo de Haro (1939-2021) e Idésio Leal, também da Ilha.

Pela finura do livreto, que se mescla aos zines e livros mais grossos, Deus não conversa perdeu-se na estante. Mas reencontrado, agora encontra, aqui no blog, um lugar. 

Seja bem-vindo, Pedro Port.

Quem é Pedro Port?

livro fino com homem desenhado em traços na capa

Pedro Port nasceu no ano de 1941 em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, cidade cortada pelo rio Jacuí na porção central do estado. Academicamente, formou-se em Filosofia pela federal gaúcha e, partindo para literatura, cursou pós-graduação na área na UFSC. 

A carreira literária, a qual importa aqui, iniciou em 1964, em uma antologia poética (Poesia Vezes Três). E a partir dali, deslanchou-se em outros escritos e publicações.

Assim como muitos, chegou em Florianópolis e ancorou por lá. Tanto que, foi em Floripa que minha irmã encontrou o livro laranja, numa formato bem artesanal, fazendo jus à poesia de bar, de rua, de mercado, de praça e de quintal.

Tentei buscar por onde anda Pedro Port, mas infelizmente não encontrei informações atualizadas sobre o poeta até o final deste post (26/10/2025).

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Notas sobre a não-linguagem artística (João Francisco Duarte Jr.)

cadeira sendo pintada com tinta óleo
Época Mouco
O professor João Francisco Duarte Júnior tem em seu currículo a Psicologia, mas dedicou-se à Arte-educação e à Filosofia da Educação para preencher as lacunas científicas do Brasil quanto ao tema quase inexplorado na década de 80. Por que arte-educação? (1983) é um livro do século passado que ainda traz à tona tanto a questão curricular como visão popular da arte. 

Duarte Júnior vai então adotar uma abordagem reflexiva contínua, a posição da arte na escola, a formação docente e a própria essência da arte. Para valorizar e ensinar de forma eficaz, é importante ir além de definições superficiais e abraçar sua complexidade. E é isso que Duarte Júnior propõe neste livro breve, didático e provocativo

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Personagens e histórias: O olho da rua por Eliane Brum

Livro com capa de grafite de olhos

Eliane Brum não é apenas o olho, ela sente e ecoa a pulsação da rua. Em O olho da rua: uma repórter em busca da literatura da vida real, lançado em 2017, a jornalista gaúcha coloca em folhas o que há de mais bonito nos gêneros informativos, o jornalismo literário. Ela une a inquietude e a técnica da escrita para criar revelar a vida que poucos veem ou querem ver (neste caso, ler).

Nesta coletânea de reportagens Brum não se esconde, mas se insere na própria história. O olho da rua é uma plataforma para vozes e lugares marginalizados. É a observação jornalística combinada com uma escrita pessoal e reflexiva, oferecendo um olhar necessário sobre a realidade brasileira, sobretudo da região Norte do país.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Sair catando mato - experiência de leitura As Plantas Curam

Livro com plantas na capa e também ao fundo

Pode parecer tolice compartilhar esta experiência, mas ultimamente tenho me permitido ser mais autêntica do que teórica ao falar sobre livros aqui no blog Pertinências Literárias. Minha leitura mais recente foi no meio do mato, com o livro nas mãos, faminta e sedenta por conhecimento.

Há tempos observo na natureza uma força comparável a de muitos remédios. Não me agrada o termo poder, pois me faz sentir excessivamente crente em algo, inclusive ao me referir a este livro, As Plantas Curam (1992).

Fui à biblioteca em busca de um tema: plantas e seus efeitos benéficos no corpo humano. Foi aí que encontrei As Plantas Curam, um livro de Alfons Balbach, um pastor-escritor como qualquer outro, como C.S. Lewis ou, ainda que não Pastor, mas ligado à religião, Frei Betto (escrevi sobre o clássico necessário Batismo de Sangue aqui).

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

O tragicômico em Gaetaninho (Alcântara Machado)

Cartaz de funerária no uruguay
Funerária em Aiguá, interior do Uruguay.

Quem nunca teve um desejo minimamente mórbido? Bem, quase ninguém, acredito. E, ainda se o tivesse, talvez não ousaria contar. Por isso, creio que é difícil colocar em planilhas esse fato.

Mas com Gaetaninho é diferente. Uma boleia num carro fúnebre era seu sonho de menino.

Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro. De enterro ou de casamento. Por isso mesmo o sonho de Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho.

Gaetaninho é um conto Modernista de Alcântara Machado, datado de 1927. É uma história simples, curta e grossa trágica sobre um garoto pobre que vive em um mundo onde carros são privilégios modernistas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Tempo e memória: notas sobre Primavera num espelho partido (Mario Benedetti)

sinto-me estranho mas já vai passar / não se morre de estranheza, mas pode-se morrer de saudade (p. 237)

Falar de luta e saudade é falar da América Latina desestruturada pela Ditadura Militar. Em Primavera num espelho partido (1982), o escritor uruguaio Mario Benedetti explora as diferentes perspectivas sobre o encarceramento de Santiago, personagem-preso-político, e como sua ausência afeta a vida de quem sente pela sua falta. O livro aborda o amor, fidelidade, a passagem do tempo e as escolhas enfrentadas por aqueles que esperam por alguém

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Anarquismo: incendiário e libertador por Cindy Milstein

Cemitério dos Imigrantes em Joinville (SC)

O que é necessário para entender uma ideologia que pulsa feito coração? Isso tudo porque falamos de LIBERDADE.

Cindy Milstein, autora na série "Lexicon", traduzida pela Editora Monstro dos Mares, define o anarquismo como a busca por uma sociedade de indivíduos livres. Para ela, não se trata apenas de uma teoria, mas de um sentimento profundamente humano que se manifesta na busca por liberdade, justiça e solidariedade para todos.