Levántate y mira la montaña
De donde viene el viento, el Sol y el agua
Plegaria a un Labrador - VÍCTOR JARA
Víctor Jara (1932-1973) cantava aos ventos do sul o respeito e admiração pela sua terra. Aqui, refiro-me a terra que se estende além da longitude chilena. Víctor, acompanhado de sua guitarra trabajadora, falava de seu povo, de sua cultura, de sua ancestralidade, a proteção das montanhas, a secura do deserto umedecida pelo Oceano Pacífico e o direito de viver em paz nesta terra.
O livro Víctor Jara: não à ditadura (2008) do escritor francês Bruno Doucey, apresenta recortes breves da vida do cantor chileno desde sua infância campesina em Ñuble, região ao centro do Chile, caracterizada até hoje pela cultura do campo, até o final da sua vida na capital Santiago.
Uma leitura leve, entre a ficção pautada nos fatos e excertos factuais que contextualizam o cenário da transição do golpe de estado contra Salvador Allende e tomada do poder do ditador Augusto Pinochet.
- Aí está você, maldito músico!
Um militar entrou no corredor de fuzil na mão. Víctor abre os olhos inchados e reconhece o oficial que lhe bateu com o chicote, no dia da blitz. Com um sorriso torto, o homem vem em sua direção, dá uma última tragada no cigarro que está fumando e o joga no chão.
- Hoje você não fuma, filho da puta? Soube que você estava fumando no dia em que foi fazer propaganda comunista no Saint George's College. É, agora você não tem mais toda aquela pose.
Víctor, estirado no chão, não responde às provocações do oficial. O cigarro rolou até perto dele e o cano do fuzil está encostado em sua têmpora. (p. 47)
E por falar em transição, Bruno Doucey também delineia as temáticas da música de Víctor Jara, da nossa nata liberdade, a revolução para alcançá-la. Além da liberdade, Víctor também ecoará sua luta pela Unidade Popular, a coligação de partidos de centro e esquerda do Chile entre 1970 e 1973. O mesmo partido de Pablo Neruda e, posteriormente, Allende.
No dia a dia, o artista não se satisfaz em cantar a liberdade: luta pela Unidade Popular, trabalha sem descanso por um mundo melhor com o qual sempre sonhou. (p. 38)
Murió sin saber por que
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| Enrique Olivares Aguirre |
Em 11 de setembro, Augusto Pinochet ganha o poder de agir violentamente contra a nação chilena. Instaurados os anos de repressão, um dia depois Victor Jara é detido e levado ao Estádio Chileno. Em 16 de setembro de 1973, Víctor Jara é assassinado.
Víctor se lembra de que o poeta chamava o Chile de "país longilíneo" [Pablo Neruda]. Nenhum outro se parece com esse comprido cordão de terra que se estira por mais de 4.300 quilômetros à beira do Pacífico, a cabeça em um dos desertos mais áridos do mundo e os pés numa confusão de ilhas, fiordes e geleiras. Hoje, Víctor se parece com o Chile: seus pés estão frios como se o sangue não circulasse mais, mas suas têmporas, seu rosto e seu crânio estão ardendo. Quando consegue abrir os olhos, congestionados pelos golpes recebidos, reconhece o lugar onde está. É um dos corredores do Estádio Chile, onde ele ganhou o Primeiro Festival da Nova Canção Chilena, em 1969. (p. 44)


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