| Peeter Mudist (1980) |
Quantas vezes nos vimos frente à frente com grandes contadores de histórias? Daquelas que ouvimos em um bar, sob o efeito de álcool e os sintomas da socialização descontraída. No início, passamos a duvidar dos causos contados por estes grandes pescadores da contemporaneidade, os humanos demasiadamente faladores.
E então, aquela história que ouvimos, sob a perspectiva de seu próprio locutor, segue sendo uma verdade incontestável, pois não há provas de mentira. Eis que ocorre a nossa percepção de pessoas e fatos a partir de uma verdade desconfiada. Só nos resta acreditar sem ousar dizer: “cale-se, chega de mentir!”.
É num cenário como este que surge Jean-Baptiste Clamence, um advogado já cansado da labuta justiceira e dono de um ego altamente inflamado. A narrativa A Queda (1956), escrita por Albert Camus, é o palco perfeito para este locutor atirar inúmeros episódios de sua vida ao leitor.






