quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Walden: o maior tratado sobre a liberdade (Thoreau)

Henry David Thoreau (1817-1862) escreveu sobre sua experiência às margens do Lago Walden em Concord, Massachussetts, sua terra natal. Lá, ele vive longe da vida civilizada em sua cabana, tornando-se vizinho de pássaros, esquilos e de toda vida nos bosques.

Foram dois anos de absorção da natureza, desfrute da solidão e, acima de tudo, de um estilo de vida autossustentável. Esse episódio foi em 1845, quando Thoreau era um jovem de 28 anos de idade. Observações sobre a vida selvagem, diários da solidão e solitude, notas sobre despesas e plantio e uma prisão, resultaram em sua única obra oficialmente publicada: Walden ou A vida nos bosques.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

A infância em "Um, dois e já" - Inés Bortagaray

Senti a garganta criar nós familiares lendo Um, dois e já (2010) da escritora uruguaia Inés Bortagaray. A infância sempre é um terreno nostálgico e nesse livro não é diferente.

Um, dois e já é narrado pela irmã do meio, que descreve o trajeto da viagem em família. A narrativa se divide entre descrições de tempo-espaço, devaneios e memórias.

Vejo um poste que passa e vai embora até que vejo outro poste que passas e vai embora, mas nunca totalmente, porque na ida deixa um rastro. O rastro é o poste em movimento, o poste corrido, varrido, que continua numa fileira de postes-fantasmas de pé entre poste e poste verdadeiro. O verdadeiro segue na forma de vários fantasmas até que outro verdadeiro anuncia que há algo real, afinal de contas. Amanhece. Às vezes no alto de um poste há um ninho de joão-de-barro. É a interrupção do ritmo sequencial de postes. Entre um e outro (entre poste e poste) há fios: eletricidade. Fios pretos e tensionados no alto, desenhando uma partitura de linhas que sobem e descem, como num monitor de eletrocardiograma.  (p.7)