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sábado, 6 de junho de 2026

¡Ecue-Yamba-O! e a identidade afrocubana por Alejo Carpentier

Foto: Danilo Woznica

Em 1927 Alejo Carpentier (1904-1980) rascunhava na prisão um livro que buscava manifestar a identidade afrocubana do país caribenho. O título da obra era ¡Ecue-Yamba-O!, tradução de Deus seja louvado, na língua Locumí, que tem suas origens no grupo étnico e linguístico Yorubá.

¡Ecue-Yamba-O! foi publicado um pouco mais tarde no exílio do escritor na Espanha, em 1933, cinco anos após Carpentier livrar-se do território cubano regido por oligarcas, em 1928. Este foi o primeiro romance do escritor, que nos traz uma obra que mescla raízes africanas ao cotidiano moldado pelo colonialismo europeu. A obra é um recorte mínimo de situações e personagens cobertos do adocicado suor dos canaviais e o misticismo que sustenta a espiritualidade Santería.

Acrescento também, ¡Ecue-Yamba-O!  sendo um descritivo de uma Cuba latinoafricana que resiste às imposições imperiais - hasta siempre, por sinal.

domingo, 12 de abril de 2026

As lentes sujas da América Latina, Ninho da Serpente e Pedro Juan Gutiérrez

Feira de rua em Havana. Frutas tropicais à venda.
O livro O ninho da serpente: memórias do filho do sorveteiro (2006) é mais uma ficção autobiográfica escrita por Pedro Juan Gutiérrez. A história se passa no auge da Revolução Cubana, acompanhando um adolescente que vive em Matanzas, cidade a pouco mais de 80 quilômetros da capital, cenário da obra mais conhecida do escritor, Trilogia suja de Havana.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

A infância em "Um, dois e já" - Inés Bortagaray

Senti a garganta criar nós familiares lendo Um, dois e já (2010) da escritora uruguaia Inés Bortagaray. A infância sempre é um terreno nostálgico e nesse livro não é diferente.

Um, dois e já é narrado pela irmã do meio, que descreve o trajeto da viagem em família. A narrativa se divide entre descrições de tempo-espaço, devaneios e memórias.

Vejo um poste que passa e vai embora até que vejo outro poste que passas e vai embora, mas nunca totalmente, porque na ida deixa um rastro. O rastro é o poste em movimento, o poste corrido, varrido, que continua numa fileira de postes-fantasmas de pé entre poste e poste verdadeiro. O verdadeiro segue na forma de vários fantasmas até que outro verdadeiro anuncia que há algo real, afinal de contas. Amanhece. Às vezes no alto de um poste há um ninho de joão-de-barro. É a interrupção do ritmo sequencial de postes. Entre um e outro (entre poste e poste) há fios: eletricidade. Fios pretos e tensionados no alto, desenhando uma partitura de linhas que sobem e descem, como num monitor de eletrocardiograma.  (p.7)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Sobre ditadores e escritores: Eu o Supremo (Augusto Roa Bastos)

O ano é 1974. Augusto Roa Bastos está exilado na Argentina e finalizando Yo el Supremo (Eu o Supremo). Ele não retornaria tão cedo ao seu país, o Paraguai, na época, sob o comando militar de Alfredo Stroessner, mais um na história das Ditaduras Latino-americanas.

A distância geográfica, no entanto, serviu para aproximá-lo da essência trágica de sua terra natal. Saudades? Não sei. De lá, Roa Bastos escreve com remorso e ironia uma das obras mais célebres da literatura paraguaia, que sequer foi publicada em seu país de origem.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Sobre aquele que nunca ganhou o Nobel, sobre Jorge Luis Borges

O pensamento do escritor argentino Jorge Luis Borges está vivo. Ele se encontra na extensa coleção da Editora Martin Claret com o título O Pensamento Vivo

Imagens repetidas do escritor Jorge Luis Borges

Essa é uma coletânea de pensamentos, aforismos, citações e frases notáveis do escritor, que faleceu um ano após o publicação do livro da Martin Claret, em 1986, aos 86 anos. Ela vai reunir em um formato que lembra os jornais dos anos 70 ou suplementos literários, de uma forma muito dinâmica e extensa, mas sem cansar o leitor. Para além da estrutura, que vai se manter a mesma como o restante da coleção, esse livro dá impressão de estarmos na escrivaninha deste escritor argentino, ouvindo suas opiniões e histórias.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Tempo e memória: notas sobre Primavera num espelho partido (Mario Benedetti)

sinto-me estranho mas já vai passar / não se morre de estranheza, mas pode-se morrer de saudade (p. 237)

Falar de luta e saudade é falar da América Latina desestruturada pela Ditadura Militar. Em Primavera num espelho partido (1982), o escritor uruguaio Mario Benedetti explora as diferentes perspectivas sobre o encarceramento de Santiago, personagem-preso-político, e como sua ausência afeta a vida de quem sente pela sua falta. O livro aborda o amor, fidelidade, a passagem do tempo e as escolhas enfrentadas por aqueles que esperam por alguém