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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

A infância em "Um, dois e já" - Inés Bortagaray

Senti a garganta criar nós familiares lendo Um, dois e já (2010) da escritora uruguaia Inés Bortagaray. A infância sempre é um terreno nostálgico e nesse livro não é diferente.

Um, dois e já é narrado pela irmã do meio, que descreve o trajeto da viagem em família. A narrativa se divide entre descrições de tempo-espaço, devaneios e memórias.

Vejo um poste que passa e vai embora até que vejo outro poste que passas e vai embora, mas nunca totalmente, porque na ida deixa um rastro. O rastro é o poste em movimento, o poste corrido, varrido, que continua numa fileira de postes-fantasmas de pé entre poste e poste verdadeiro. O verdadeiro segue na forma de vários fantasmas até que outro verdadeiro anuncia que há algo real, afinal de contas. Amanhece. Às vezes no alto de um poste há um ninho de joão-de-barro. É a interrupção do ritmo sequencial de postes. Entre um e outro (entre poste e poste) há fios: eletricidade. Fios pretos e tensionados no alto, desenhando uma partitura de linhas que sobem e descem, como num monitor de eletrocardiograma.  (p.7)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Sobre ditadores e escritores: Eu o Supremo (Augusto Roa Bastos)

O ano é 1974. Augusto Roa Bastos está exilado na Argentina e finalizando Yo el Supremo (Eu o Supremo). Ele não retornaria tão cedo ao seu país, o Paraguai, na época, sob o comando militar de Alfredo Stroessner, mais um na história das Ditaduras Latino-americanas.

A distância geográfica, no entanto, serviu para aproximá-lo da essência trágica de sua terra natal. Saudades? Não sei. De lá, Roa Bastos escreve com remorso e ironia uma das obras mais célebres da literatura paraguaia, que sequer foi publicada em seu país de origem.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Junot Díaz e a fantástica família dominicana

A fantástica vida breve de Oscar Wao (2007), escrito por Junot Díaz, é um romance que mistura tragédia e humor para contar uma história profundamente enraizada na experiência latino-americana. Embora o autor seja dominicano-americano, a narrativa atravessa as fronteiras do Caribe para tocar em temas universais — sobretudo o tal sonho americano.

Díaz também aborda as marcas deixadas pela ditadura de Trujillo na República Dominicana, as influências da vizinha Cuba, a violência, o machismo e a pobreza — tudo isso sem perder o tom sarcástico.

A capital Santo Domingo (Ronald Vargas | Unsplash)

segunda-feira, 14 de abril de 2025

A força llanera em "Dona Bárbara" (Rómulo Gallegos)

Publicada em 1929, Dona Bárbara é uma das principais obras da literatura venezuelana, escrita por Rómulo Gallegos (1884–1969), que também transitou pela política. Gallegos governou seu país por um breve período de oito meses (1948), interrompido por um Golpe Militar.

Para além do contexto político do autor, esta obra mergulha profundamente no modo de vida singular do homem e da mulher dos Llanos venezuelanos - os llaneros -, explorando sua relação intrínseca com a natureza da região.
Llanura venezuelana! Propícia para o esforço, como foi para a façanha, terra de horizontes abertos, onde uma raça boa ama, sofre e espera!...