Existem infinitas formas de descrever a solidão, seja de maneira cômica, trágica ou profundamente melancólica. Assim como existem inúmeras formas de ilustrá-la, como quartos vazios, cadeiras ou uma pessoa sozinha em meio a uma paisagem bucólica.
A novela gráfica Tout seul ou Solitário (2017), do quadrinista francês Christophe Chabouté apresenta de maneira sensível esse aspecto inerente a nós ou ao nosso destino, a solidão.
Alguns, pela força da roda dos dias, nascem, crescem e morrem dentro dela. Solitário é sobre isto. Um livro de poucas palavras, de fato, em que as ilustrações combinam-se a expressões e ao cenário longíquo cercado de gaivotas - os seres mais livres de toda esta história.
O protagonista reside desde seu nascimento em um farol remoto e ilhado, recebendo mantimentos uma vez por semana de um barqueiro conhecido de seu falecido pai. A estranheza de seu corpo e rosto fez com que seu pai lhe protegesse, isolando-o da sociedade, temendo que ele sofresse pela sua aparência. Beirando os 50, a mundo lá fora lhe parecia um infinito horizonte.
Dentro do farol, a vida se traduz no que está ao seu alcance. Com um dicionário em mãos, os códigos linguísticos lhe ajudam a tentar descobrir o que se passa longe dali.
Os vocábulos escolhidos aleatoriamente com olhos fechados, feito uma brincadeira, alimentam a ideia do que seria o mundo externo e o comportamento da sociedade. Cada palavra ganha a interpretação que lhe convém, baseada na vida que estava ao seu alcance. Tout Seul.
A narrativa, assim como sua vida, passam a ganhar novas formas. Através da ajuda de um assistente do barqueiro, ele recebe várias imagens do mundo.
Até então, o dicionário era a única ferramenta de comunicação possível com o mundo externo, ao observar estas imagens, novos significados vão surgindo, desenvolvendo nele ideias mais concretas e ampliando a dimensão do mundo além farol. A curiosidade é despertada cada vez mais, convidando-o para a liberdade.



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