quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Walden: o maior tratado sobre a liberdade (Thoreau)

Henry David Thoreau (1817-1862) escreveu sobre sua experiência às margens do Lago Walden em Concord, Massachussetts, sua terra natal. Lá, ele vive longe da vida civilizada em sua cabana, tornando-se vizinho de pássaros, esquilos e de toda vida nos bosques.

Foram dois anos de absorção da natureza, desfrute da solidão e, acima de tudo, de um estilo de vida autossustentável. Esse episódio foi em 1845, quando Thoreau era um jovem de 28 anos de idade. Observações sobre a vida selvagem, diários da solidão e solitude, notas sobre despesas e plantio e uma prisão, resultaram em sua única obra oficialmente publicada: Walden ou A vida nos bosques.

A vida na cidade e a vida nos bosques

É fácil cansar-se da civilização quando nascemos com um instinto muito maior que a sede de poder. Henry David Thoreau nasceu com isso, não queria viver a vida entre quatro paredes e ligada aos aparelhos e instituições que moldam nosso ser e pensar.

Pedaço da cabana de Thoreau

Ele era um homem revoltado, contra o sistema, contra a injustiça e contra a razão governante. A prisão rendeu um dos ensaios mais conhecidos do escritor, a Desobediência Civil, escrito durante a prisão por não pagar imposto.

Uma tarde, terminando o primeiro verão, quando fui ao povoado para pegar um sapato no conserto, fui detido e preso porque, como contei em outro lugar, não paguei um imposto, ou seja, não reconheci a autoridade do Estado que compra e vende homens, mulheres e crianças como gado às portas de seu senado. Eu tinha ido para a mata com outros propósitos. Mas, onde quer que eu vá, os homens vão persegui-lo e agarrá-lo com as patas sujas de suas instituições sórdidas. (p. 167)

Desligar-se do sistema é uma tarefa de mulheres e homens revoltados, que escolhem viver por si. Viver do pouco em uma sociedade capitalista – ainda que este termo seja anacrônico pela época da publicação. Hoje, é muito raro e somente para os raros desprender-se.

Seria instrutivo levar uma vida rústica e primitiva, mesmo em plena civilização aparente, ao menos para saber quais são as coisas mais necessárias à vida e quais os métodos usados para obtê-las. (p.25) 

Ser livre é questão de seguir a bússola que está dentro de nós. A liberdade acompanha Thoreau porque ele vive para tal e, na roda lenta de seus dias, ele descobre como viver plenamente livre.

Enquanto der, vivam livres e sem se prender. (p.89)

Vai, vai pescar e caçar todos os dias ao derredor – e ao redor do derredor – e descansa sem receio junto aos riachos e às lareiras. Lembra teu Criador enquanto és jovem. Levanta-te despreocupado antes do alvorecer, e vai em busca de aventuras. Que o meio-dia te encontre em outros lagos, e que seja lar onde quer que a noite te surpreenda. Não existem campos mais vastos a percorrer nem jogos mais importantes a jogar. Cresce agreste de acordo com tua natureza, como aqueles juncos e samambaias que nunca se tornarão feno. Que ribombe o trovão; e daí que ele ameace a ruína das lavouras? não é a ti que ele envia seu recado. Abriga-te sob a nuvem, enquanto eles fogem para as carroças e telheiros. Que teu sustento não te seja profissão, e sim esporte. Goza a terra, não sejas o dono dela. É por falta de iniciativa e de fé que estão os homens onde estão, comprando e vendendo, gastando a vida como servos. (p. 200)

Walden é, sem sombra de dúvidas, uma bíblia para quem é crente de seu próprio espírito, daquele que sabe que a natureza não é apenas um espaço, mas um todo que nos acompanha desde o útero. Um todo infinito como nossa mente.

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THOREAU, Henry David. Walden. Tradução: Denise Bottmann. Porto Alegre: L&PM. 2010.

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