Respeitáveis camaradas, esta leitura é grandiosa e indispensável para todos que sentem o desejo da revolução pulsar nas veias. Se a revolução tem um poeta, esse poeta é Vladmir Mayakovsky. Se a palavra tem força, ela vem dos versos de Mayakovsky.
Calcula, reflete, mira bem e avança!
Nascido em 7 de março de 1893 em Baghdati, capital da Geórgia - Império Russo, na época -, Mayakovsky era declaradamente comunista e seus versos não negam a causa. Filho de camponeses, a senhora Aleksandra Aleksieievna e de Vladimir Konstantinovitch, após a morte do pai, a família sobreviveu, correndo contra a corrente da miséria em Moscou.
O poeta russo ansiava viver da arte da escrita, trazer em seus versos amor pela revolução. Findou sua vida às 10h17 do dia 14 de abril de 1930, um estampido no coração da Rússia.
Vladmir Mayakovsky tornou-se um grande apaixonado, senão um herói nacional da poesia e do teatro da URSS, pela sua obsessão vangloriosa pela União Soviética. Muitos estudiosos acreditam que o poeta mergulhou em um profundo desapontamento ao testemunhar os rumos autoritários que o país tomava, sufocando o criar do artista.Ao camarada Teodoro Nette* (1926)
*Mensageiro diplomático soviético que morreu em um ataque terrorista durante uma viagem de trem de Moscou a Riga em 05/02/1926. Morreu defendendo postais.Estremeci.
Não era um fantasma de além-túmulo.
O porto
ardendo
num calor de metal fundido
abria-se
para
receber
o camarada
"Teodoro Nette"
É ele mesmo.
Reconheci-o
pelos óculos-bóias
que está usando.
“Teodoro Nette”.
Salve, Nette!
Prazer em te ver vivo,
nessa vida de chaminés,
cabos
e cordas.
Aproxima-te!
Tens muito calado?
De Batum até aqui
viajaste um pedaço!
Te lembras, Nette,
quando eras homem
quanto chá tomávamos
Não tinhas pressa.
A nosso redor já todos roncavam
e tu franzindo as pálpebras
à luz de um toco de vela
a noite toda palavras
sobre Ronka Jacobson?
E era muito engraçado
ver-te suando
para reter um verso.
De manhazinha adormecias
com o dedo no gatilho.
Ninguém se atreveria a entrar!
Quem diria
que um ano depois
ao te encontrar
tu já serias navio!
Uma lua imensa,
à popa debruçada
fendida as águas.
Como se atrás de ti
depois do combate no passadiço,
arrastasses
uma longa esteira sangrenta e luminosa.
O comunismo nos livros
pode parecer nebuloso.
nos livros é possível
qualquer delírio.
Mas isto imprime vida aos sonhos
e mostra do comunismo
o sangue e a carne.
Vivemos unidos
por um juramento de ferro.
Por ele vamos à cruz
ou enfrentamos as balas.
Para que
russos,
lituanos,
o mundo inteiro
possam viver em comum.
Em nossas veias
corre um sangre rubro
e não água morna.
Marchamos através
de um ladrar de balas
para que ao morrer
nos tornemos
navios,
poemas
ou coisas maiores.
Gente como eu
jamais deveria morrer.
Mas, já que existe um fim -
quisera -
é meu único desejo -
encontrar a morte
como a encontrou
o camarada Nette.
Uma questão comentada em biografia é que as últimas peças teatrais satíricas, como O Percevejo e O Banho, não agradaram ao público nem às autoridades vermelhas. As peças, sem sucesso, foram recebidas com críticas severas por serem consideradas "difíceis" ou tendenciosas demais. Apesar de tudo, Mayakovsky foi muito bem exaltado por Stalin, O MELHOR E MAIS TALENTOSO POETA DA ÉPOCA.
Desatai o futuro (1925)
O futuro
não virá por si só
se não tomarmos medidas.
Pega-o pelas orelhas, komsomol!
Pega-o pela cauda, pioneiro!
A comuna
não é uma princesa fantástica
com quem
de noite se sonha.
Calcula,
reflete,
mira bem
e avança!
embora sejam miudezas.
O comunismo
não reside apenas
na terra,
no suor das usinas.
Senão também no lar,
à mesa,
nas relações de família,
nos costumes.
Aquele que
no decorrer do dia
anda rangendo palavrões
como um eixo de carroça
ressecado,
aquele que
fica pasmado
quando geme a balalaika,
esses
não atingiram o talhe
do futuro.
Nas trincheiras
manejar metralhadoras,
não é apenas nisso
que consiste a guerra.
O ataque à família,
ao lar,
não é para nós
ameaça menor.
Quem não aguentou
a tarefa doméstica
e dorme
no bem-bom
das rosas de papel,
esse não atingiu o talhe
da poderosa vida
do porvir.
Qual uma peliça
o tempo é também
roído
por vermes cotidianos.
As vestes poeirentas
de nossos dias
cabe a ti, komsomol, sacudi-las!
*Komsomol ou Comsomol era a organização juvenil do Partido Comunista da União Soviética.
Versos e riscos revolucionários
Motivado pela esperança, o poeta carregava na maioria de seus versos sua luta, como você já teve o prazer de ler acima. Apaixonado pela revolução, Mayakovsky, o futurista que não abandonava os versos tradicionais, as linhas rebuscadas. Sua ruptura é temática, mas não estilística. Falar com belas palavras, uma escolha sensorial sobre um desejo, mais que político, social. MUDAR, MUDAR, MUDAR! Para melhor. E para quem? PARA TODOS.
— A todos,
a todos,
a todos!
Aos que estão fartos do sangue das trincheiras!
A todos os escravos!
A todos os escravizados!
Todo o poder aos sovietes!
A terra para os camponeses!
A paz para os povos!
Pão aos famintos!
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Além disso, Mayakovsky demonstrou facilidade nas artes gráficas com a produção de cartazes e poemas-cartazes que se espalharam pela URSS. A arte futurista, que nos lembra a poesia concretista, estruturada em imagens-palavra, que transita entre a poesia e a construção linear de uma imagem-não verbal.
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| Poema-cartaz feito por Mayakovsky durante a guerra civil (1918-1921) |
Versos de amor
Amante da revolução e também da Lilya Brik, Vladimir Mayakovsky escreveu dezenas de cartas a sua amada. A curta distância de rompimentos já era o bastante para o poeta exprimir sua dor da ausência, fazendo-o gritar desesperadamente por Lilya. Volte, Lilya, volte para esse coração revolucionário.
O amor nunca é démodé, seja na vida, seja na literatura. À beira do rio, Mayakovsky fez me chorar com seus versos que imploravam pela volta de Lilya. Um relacionamento de idas e vindas que sempre findava em cartas de amor e poemas. Um autor consumido pelo sentimento de raiva imperialista e, com igual força, uma paixão incurável por Lilya Brik.
Minha pequena Lila (1916)
O ar está corroído pela fumaça do cigarro.
O quarto
é um capítulo do "Inferno" de Khutchônikh
Lembra
Foi aqui, nesta janela
que pela primeira vez
acariciei, loucamente, teus braços.
Hoje estás sentada lá
como um coração de metal.
Mais um dia
talvez,
e xingando-me,
tu me mandarás embora.
Na ante-sala turva, muito tempo o meu braço
despedaçado por uma tremedeira
não conseguirá encontrar a manga.
Fugirei
jogando meu corpo na rua.
Selvagem
açoitado pelo desespero,
ficarei louco.
Não, isto não deve ser.
Minha querida,
meu amor,
melhor nos separarmos
agora.
De qualquer maneira
para onde quer que fujas
meu amor
pesará sobre ti
como um grande haltere.
Deixe-me, uma última vez,
berrar minha queixa amarga.
Se o boi
está sobrecarregado pelo trabalho
ele vai
e deita na água fria.
Mas afora teu amor,
pra mim,
não existe mar,
e mesmo chorando,
teu amor não me deixará paz.
Se procura o descanso, o elefante fatigado
pode deitar, como um rei, na areia ardendo.
Mas para mim
afora teu amor
não existe sol.
Não sei onde estás. Nem com quem.
Se ele fosse poeta
aquele que torturas assim,
poderia trocar o teu amor
pela glória ou dinheiro.
Mas a mim
nenhum som deixa alegre
afora o som do teu nome bem-amado.
Não vou me jogar pela janela,
não vou tomar veneno
nem apertar o gatilho com a minha cabeça.
Para mim
não existe lâmina nem faca
a não ser o teu olhar.
Amanhã esquecerás
que te coroei,
que o amor incendiou a minha alma em flores
e o vão carnaval dos dias que se foram
vai dispersar as páginas de meu caderno...
As minhas palavras, folhas mortas,
poderão forçar-te
a parar
sem fôlego?
Ao menos deixe-me
cobrir de um último carinho
teu passo que se afasta.
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| Cartaz de “Acorrentada pelo Filme” (1918), filmes estrelado pelo poeta e sua amada. |
Choramos juntos pelo gatilho mirado contra a cabeça mais revolucionária da literatura russa. Mayakovsky. De amor e de revolução, o artista falece e deixa na história sua marca.



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