terça-feira, 15 de setembro de 2026

Para entender o agora: Sistemas de Comunicação Popular (Joseph Luyten)

colagem digital várias telas de computador
delírio recortado

Comunicação. É preciso, para quem vive dela, entendê-la. Por isso, a leitura de Sistemas de Comunicação Popular faz-se necessária. Ela é um fenômeno inato a nós, viva, logo, em constante alternância, seja para evoluir, seja para regredir em termos de progresso e seus efeitos positivos na sociedade.

Em 1988, o professor holandês, radicado no Brasil, Joseph Luyten (1941-2006) publicou o livro Sistemas de Comunicação Popular, mais uma para a vasta coleção da Editora Ática. Essa é uma obra de grande importância para entender não somente a Teoria da Comunicação, como o que a sustenta.

Na época, Luyten poderia ou não prever o progresso excessivo e a forma mais curiosa e assustadora que seu objeto de estudo se tomaria. Um verdadeiro Frankenstein. 

Sistemas de Comunicação Popular vai falar sobre a comunicação pensando em sua vastidão, que escorre para muito além da imprensa. Esta, que surgiu em nosso país com Dom João VI por volta de 1808, transformou-se através do século. Vale tirarmos o olhar dos anos 80, mais especificamente, do século passado, e aplicá-lo sob os dias atuais. 

Outro ponto é relembrar que, quando falamos em comunicação, falamos desde a mensagem ao suporte. A chegada dos Correios a regiões mais ilhadas ou remotas, a tecnologia da internet às aldeias e também ao sertão. Tudo isso faz parte desta transformação da comunicação.

Leia também: Liberdade líquida em tempos modernos (sobre Modernidade Líquida  de Zygmunt Bauman)

A folkcomunicação aplicada ao agora

A folkcomunicação, tema central da obra, hoje, ganha uma nova roupagem nas últimas décadas. Minha experiência como redatora publicitária desde 2022, trabalhando com redes sociais e fazendo delas um eterno estudo de caso (e cases, como gostam dessa palavra!), fez com que eu entendesse que, hoje, a mídia oficial pode ser facilmente contestada e a folkcomunicação ganhou um destaque excessivo. Popular não é somente as mensagens que atravessam os canais informais da comunidade.

A comunicação se aprimorou, seja de maneira ruidosa, seja de maneira mais assertiva. Não cabe aqui julgar as atrocidades que ganham a mídia com tamanha ignorância, transformando anônimos em estrelas temporárias através de opiniões polêmicas. A folkcomunicação ganha poder pela democratização e a liberdade (questionável e problemática) de expressão.

Tudo isso é, acima de qualquer coisa, o ato humano de comunicar-se. Afinal, Joseph Luyten nos deixa claro que todo ato comunicativo é uma tentativa de mudar a estrutura mental de alguém. Há milênios é o que estamos fazendo, seja para o bem, seja para o mal. Mudar o pensamento, mudar a mente, mudar a sociedade.

LUYTEN, Joseph M. Sistemas de comunicação popular. São Paulo: Ática.

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