domingo, 12 de abril de 2026
As lentes sujas da América Latina, Ninho da Serpente e Pedro Juan Gutiérrez
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Sobre ditadores e escritores: Eu o Supremo (Augusto Roa Bastos)
O ano é 1974. Augusto Roa Bastos está exilado na Argentina e finalizando Yo el Supremo (Eu o Supremo). Ele não retornaria tão cedo ao seu país, o Paraguai, na época, sob o comando militar de Alfredo Stroessner, mais um na história das Ditaduras Latino-americanas.
A distância geográfica, no entanto, serviu para aproximá-lo da essência trágica de sua terra natal. Saudades? Não sei. De lá, Roa Bastos escreve com remorso e ironia uma das obras mais célebres da literatura paraguaia, que sequer foi publicada em seu país de origem.
segunda-feira, 22 de setembro de 2025
Tempo e memória: notas sobre Primavera num espelho partido (Mario Benedetti)
sinto-me estranho mas já vai passar / não se morre de estranheza, mas pode-se morrer de saudade (p. 237)
Falar de luta e saudade é falar da América Latina desestruturada pela Ditadura Militar. Em Primavera num espelho partido (1982), o escritor uruguaio Mario Benedetti explora as diferentes perspectivas sobre o encarceramento de Santiago, personagem-preso-político, e como sua ausência afeta a vida de quem sente pela sua falta. O livro aborda o amor, fidelidade, a passagem do tempo e as escolhas enfrentadas por aqueles que esperam por alguém.
segunda-feira, 2 de junho de 2025
"Batismo de Sangue" e a esquerda católica no Brasil
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| Maria Fernanda Pissioli | Unsplash |
Publicado em 1982, Batismo de Sangue: guerrilha e morte de Carlos Marighella, do frade Frei Betto, é um valioso registro histórico para compreendermos a silenciosa atuação da esquerda católica durante a Ditadura Militar no Brasil. A atuação deste grupo foi profundamente marcada pela compaixão cristã, um pilar de amor, mas também de ação e revolta.
Longe de se manter alheia à repressão, uma parcela significativa da Igreja Católica brasileira teceu uma rede de proteção que acolheu militantes perseguidos de todo o país e, inclusive, de outras Ditaduras pela América do Sul, oferecendo-lhes refúgio e apoio em face da violência estatal.
sexta-feira, 7 de março de 2025
Memória e resistência: Ainda estou aqui (Marcelo Rubens Paiva)
Mais do que um livro sobre saudades, Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva, é uma história sobre memória.
A memória não é a capacidade de organizar e classificar recordações em arquivos. Não existem arquivos. A acumulação do passado sobre o passado prossegue até o nosso fim, memória sobre memória, através de memórias que se misturam, deturpadas, bloqueadas, recorrentes ou escondidas, ou reprimidas, ou blindadas por um instinto de sobrevivência. (p.25)
O autor revisita o passado com um olhar especial para sua mãe, Eunice Paiva, retratada como uma mulher forte, vaidosa e destemida, especialmente após o desaparecimento e assassinato de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, vítima da ditadura militar no Brasil.


