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domingo, 26 de abril de 2026

Sobre cicatriz e força: Mulheres que correm com os lobos (Clarissa Pinkola Estés)

Colagem de mulher vitoriana segurando um machado
Mulheres que correm com os lobos talvez seja o maior e mais incisivo tratado de sobrevivência (feminina) já publicado sob o rótulo da autoajuda. Escrito pela psicóloga e psicanalista Clarissa Pinkola Estés e publicado no ano de1989, a obra apresenta um panorama libertador da força feminina, transitando da dor ao renascimento com uma precisão que é, ao mesmo tempo, poética e biológica.

Esses escritos nascem de uma urgência: falar sobre a força indomável que nos habita. Em sua maioria, as mulheres nascem, crescem e morrem em redutos turbulentos, onde a alma e sua psique ferida, submetida a repressões estruturais, despedeça-se pouco a pouco. Para romper, como tantas outras escritoras já fizeram, Clarissa publica este chamado selvagem — ou melhor: o eco do nosso próprio chamado selvagem adormecido. O que o sistema nos deixa, afinal é a pó e montanhas de culpa por desejarmos, imensamente, a liberdade.

Meu corpo não é separado da terra, meus pés foram feitos para firmar minha posição, meu corpo tem a forma de um recipiente, feito para conter muito.

domingo, 12 de abril de 2026

As lentes sujas da América Latina, Ninho da Serpente e Pedro Juan Gutiérrez

Feira de rua em Havana. Frutas tropicais à venda.
O livro O ninho da serpente: memórias do filho do sorveteiro (2006) é mais uma ficção autobiográfica escrita por Pedro Juan Gutiérrez. A história se passa no auge da Revolução Cubana, acompanhando um adolescente que vive em Matanzas, cidade a pouco mais de 80 quilômetros da capital, cenário da obra mais conhecida do escritor, Trilogia suja de Havana.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Walden: o maior tratado sobre a liberdade (Thoreau)

Henry David Thoreau (1817-1862) escreveu sobre sua experiência às margens do Lago Walden em Concord, Massachussetts, sua terra natal. Lá, ele vive longe da vida civilizada em sua cabana, tornando-se vizinho de pássaros, esquilos e de toda vida nos bosques.

Foram dois anos de absorção da natureza, desfrute da solidão e, acima de tudo, de um estilo de vida autossustentável. Esse episódio foi em 1845, quando Thoreau era um jovem de 28 anos de idade. Observações sobre a vida selvagem, diários da solidão e solitude, notas sobre despesas e plantio e uma prisão, resultaram em sua única obra oficialmente publicada: Walden ou A vida nos bosques.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Notas sobre A ordem do discurso de Michel Foucault


Quando falamos, escrevemos ou até mesmo pensamos, raramente nos damos conta de que nossas palavras não nascem do nada. É por isso que nasceu Michel Foucault. Para muitos, eu e você sabemos, mas também para dizer que o discurso não é aquilo que ouvimos de políticos. Não somente...

Essa trama de enunciados é o que sustenta nossas práticas sociais. Vozes, regras, exclusões e acontecimentos.

Preferiria dar-me conta de que, no momento de falar, uma voz sem nome me precedia desde há muito: bastar-me-ia assim deixá-la ir, prosseguir a frase, alojar-me, sem que ninguém se apercebesse, nos seus interstícios, como se ela me tivesse acenado, ao manter-se, um instante, em suspenso. 

L'Ordre du discours

A partir de A ordem do discurso (1971) de Michel Foucault compreendemos como nossos enunciados são configurados por estruturas históricas e sociais muito mais profundas do que imaginamos, muito mais profunda que a própria imaginação!

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Deus não conversa, um livreto de Pedro Port

Há poucos anos atrás, minha irmã voltou de Floripa com um livreto alaranjado, seu título era Deus não conversa. Era um livro do poeta gaúcho Pedro Port, publicado pela Edições Delos, uma iniciativa própria do autor com apoio do artista franco-manezinho Rodrigo de Haro (1939-2021) e Idésio Leal, também da Ilha.

Pela finura do livreto, que se mescla aos zines e livros mais grossos, Deus não conversa perdeu-se na estante. Mas reencontrado, agora encontra, aqui no blog, um lugar. 

Seja bem-vindo, Pedro Port.

Quem é Pedro Port?

livro fino com homem desenhado em traços na capa

Pedro Port nasceu no ano de 1941 em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, cidade cortada pelo rio Jacuí na porção central do estado. Academicamente, formou-se em Filosofia pela federal gaúcha e, partindo para literatura, cursou pós-graduação na área na UFSC. 

A carreira literária, a qual importa aqui, iniciou em 1964, em uma antologia poética (Poesia Vezes Três). E a partir dali, deslanchou-se em outros escritos e publicações.

Assim como muitos, chegou em Florianópolis e ancorou por lá. Tanto que, foi em Floripa que minha irmã encontrou o livro laranja, numa formato bem artesanal, fazendo jus à poesia de bar, de rua, de mercado, de praça e de quintal.

Tentei buscar por onde anda Pedro Port, mas infelizmente não encontrei informações atualizadas sobre o poeta até o final deste post (26/10/2025).

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Anarquismo: incendiário e libertador por Cindy Milstein

Cemitério dos Imigrantes em Joinville (SC)

O que é necessário para entender uma ideologia que pulsa feito coração? Isso tudo porque falamos de LIBERDADE.

Cindy Milstein, autora na série "Lexicon", traduzida pela Editora Monstro dos Mares, define o anarquismo como a busca por uma sociedade de indivíduos livres. Para ela, não se trata apenas de uma teoria, mas de um sentimento profundamente humano que se manifesta na busca por liberdade, justiça e solidariedade para todos.

Anarquistas explodem bombas contra policiais (1880)

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

A História das Coisas: a obsolescência programada e todas as coisas

Depois do documentário, A História das Coisas (The Story of Stuff) de Annie Leonard teve sua versão em livro. Na minha adolescência, uma fase de descobertas e questionamentos, fui apresentada ao documentário e posteriormente ao livro. Nos meus 14, não posso negar que essas leituras (tanto do livro como do doc), se destacaram para alguém que se questionava sobre o mundo de uma maneira crítica (pra não dizer de uma maneira quase-CHATA).

O livro, baseado na pesquisa de Annie Leonard, traz de forma acessível o funcionamento da economia global, da extração de recursos naturais ao descarte final dos produtos. Ele tece uma crítica ao modelo de produção e consumo capitalista que prioriza o lucro acima da sustentabilidade ambiental e da justiça social.


segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Fascista em pele de porco e a fábula distópica de George Orwell

A Revolução dos Bichos, de George Orwell, é um dos livros mais famosos do autor e também considerado um clássico moderno da literatura inglesa. No imaginário literário, Animal Farm nada mais é que uma fábula distópica.

Orwell, neste pequeno romance, utiliza os recursos de fábula e com sua maestria satírica, veste proletários, ditadores e tiranos em peles de porcos, cavalos e outros animais. Isso tudo para denunciar, com toda licença poética que lhe foi permitida, os ciclos de opressão e poder na Historia mundial.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

"Batismo de Sangue" e a esquerda católica no Brasil

Maria Fernanda Pissioli | Unsplash

Publicado em 1982, Batismo de Sangue: guerrilha e morte de Carlos Marighella, do frade Frei Betto, é um valioso registro histórico para compreendermos a silenciosa atuação da esquerda católica durante a Ditadura Militar no Brasil. A atuação deste grupo foi profundamente marcada pela compaixão cristã, um pilar de amor, mas também de ação e revolta

Longe de se manter alheia à repressão, uma parcela significativa da Igreja Católica brasileira teceu uma rede de proteção que acolheu militantes perseguidos de todo o país e, inclusive, de outras Ditaduras pela América do Sul, oferecendo-lhes refúgio e apoio em face da violência estatal.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Para cortar as amarras: Atira para o mar (Renata Pallottini)

 Quando decidimos ir, não há quem mude nossa ideia. E não há nada mais bonito que ir, respeitando a liberdade, respeitando a si mesmo - talvez o maior ato de amor e amor-próprio que podemos fazer.

Um poema sobre liberdade que mexe comigo há mais tempo do que posso lembrar é o Atira para o mar de Renata Pallottini, escritora brasileira que se destacou, sobretudo, na dramaturgia nacional. 

Dá uma lida abaixo e diz pra mim o que tu sente ao ler:

Atira para o mar as tuas coisas

abandona os teus pais

muda de nome


esquece a pátria

parte sem bagagem

fica mudo e ensurdece

abre os teus olhos.


Se o teu amor não vale tudo isso

então fica onde estás

gelado e quieto.


O amor só sabe ir de mãos vazias

e só vale se for

o único projeto.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Nem tudo é sobre humor: charges, cartuns e tirinhas

Nem tudo é sobre fazer rir. Charges, cartuns, tirinhas ou, simplesmente, histórias em quadrinhos, são comumente associadas ao universo infantil ou geek. No entanto, se folhearmos os jornais - como na moda antiga - ou abrirmos a rede social mais próxima para observar que estes gêneros vão muito além do universo Marvel ou Disney.

Gabriel Dantas | @bifedeunicornio

Charges, cartuns e tirinhas nos fazem rir mas também refletir, seja para falar de política, celebridades e até mesmo comportamento social.

segunda-feira, 10 de março de 2025

A Cor Púrpura: resistência e empoderamento

A Cor Púrpura é um romance escrito por Alice Walker e publicado em 1982, vencedor do Prêmio Pulitzer. A obra conta a história de Celie, uma jovem afro-americana que cresce em meio à pobreza e segregação no sul dos Estados Unidos.

Ricardo IV Tamayo | Unsplash 

Desde a infância, Celie enfrenta uma realidade devastadora, marcada pelo abuso físico e psicológico de seu padrasto. Como mulher negra e pobre, vive aprisionada em um ciclo de opressão e intolerância.  

segunda-feira, 3 de março de 2025

The Pearl: sonhos, ambições e perigos (Steinbeck)

Daniele Franchi | Unsplash
A Pérola (The Pearl), de John Steinbeck, é um romance estadunidense publicado em 1947 que explora os impactos da ambição e da busca por uma vida melhor. A história acompanha Kino, um pescador humilde que encontra uma pérola e vê nela a oportunidade de transformar o destino de sua família.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

Zygmunt Bauman: liberdade líquida em tempos modernos

Eu estava tão feliz, eu podia chafurdar na lama e aquecer-me ao sol, eu podia comer e beber, grunhir e guinchar, e estava livre de meditações e dúvidas: “O que devo fazer, isto ou aquilo?”. Por que vieste? Para jogar-me outra vez na vida odiosa que eu levava antes?

Escrevo o rascunho deste texto à mão, sentada à beira-mar em uma praia quase deserta. Hoje, optei por uma vida mais analógica, enquanto reflito sobre leitura e liberdade, inspirada pelo livro Modernidade Líquida (1999), de Zygmunt Bauman. Em tempos de consumismo desenfreado e imediatismo digital, essa escolha parece quase uma rebeldia.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Byron e o orgulho de guerra

Theodoros Vryzakis (Domínio Público)

O poema Neste dia eu completo meu 36º aniversário foi escrito por Lord Byron em 1824, durante seus últimos dias na Grécia, enquanto lutava pela independência do país. É uma obra profundamente introspectiva, que reflete o estado emocional do escritor inglês  em sua maturidade, marcada por arrependimentos, solidão e uma busca por propósito.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Jan D. Matthews: uma nova pedagogia para destruir a escola tradicional

O livro Para Destruir a Escolarização, de Jan D. Matthews, é um convite para uma reflexão profunda sobre a pedagogia clássica e moderna, questionando suas bases e relevância no mundo contemporâneo. Será mesmo que a "nova escola" é nova? E que ela ainda seja capaz de atender às demandas do indivíduo -  algum dia ela realmente atendeu?

Ken Elias (1977)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

A angústia prisional de Victor Serge

Foto de Vanessa Werder en Unsplash

Victor Serge nasceu em 30 de dezembro de 1890, em Bruxelas, capital da Bélgica. De origem russo-polaca, era filho de um militante do grupo clandestino russo Zemlya i Volya (Terra e Liberdade).

Com o sangue de revolucionário correndo em suas veias, Serge seguiu os passos do pai e começou sua luta operária aos 15 anos, engajando-se em movimentos anarquistas pela capital belga. Em defesa da classe trabalhadora, exerceu a profissão de jornalista por muitos anos, incluindo durante seu exílio na América Latina.

sábado, 14 de dezembro de 2024

O feminino em voga: As Três Marias - Rachel de Queiroz

Três mulheres, três Marias: Maria Augusta, Maria José e Maria da Glória. Três meninas enviadas a um colégio interno de freiras, onde constroem uma amizade profunda, marcada por segredos, cumplicidade e os sonhos típicos da juventude. Apesar da rigidez do internato, as três meninas encontram conforto e apoio umas nas outras, formando um fio de amizade que se estende até a vida adulta. 

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

O direito de deitar na grama

 


Deitar na grama carrega em si a essência da preguiça e da liberdade. Não vagabundeei o suficiente, mas o pouco que experimentei foi suficiente para perceber que deitar — seja na grama, no ponto de ônibus, no banco da rodoviária, no parque ou em qualquer espaço minimamente confortável e aparentemente seguro, exige audácia, especialmente quando você é mulher.

O conto Moça deitada na grama, pois assim o interpreto, muito mais que crônica, que dá título ao livro de Carlos Drummond de Andrade, apresenta uma heroína urbana movida pela vontade e satisfação de ser o que bem deseja naquela tarde. Um ato simplório, mas implorável de se repetir, no patriarcado que se sobressai até hoje: uma mulher sozinha deitar na grama ou, simplesmente, o encontro do corpo com a tranqüilidade, fruída em estado de pureza.

sábado, 29 de junho de 2024

Quero morrer escrevendo (Dorly Antônio Follmann)

Joyce Hankins (Unsplash)

Eu também quero. Em Cantos da Cigarra: ensaiando primaveras, Dorly Antônio Follmann nos presenteia com 53 poemas sensíveis. Mais do que versos de um professor de Língua Portuguesa, encontramos a alma de um poeta que busca na escrita a fuga e o prazer.

Escrevo para quem ainda tem fome,

Para quem já encheu o vazio da solidão

E agora tem à mão a fartura.

Escrevo para quem tem alma pura

E coração carregadinho de amor

Escrevo…

O frasco virou

Escrevo…

Hoje é moda.

Quero ocupar o tempo,

Quero sentir o afago das palavras

Caindo no papel.

Escrevo…

Puro fel na cicatriz do tempo.

Escrevo…

O vento vai tombando a dor.

Quero morrer escrevendo

Mil versos pro meu amor.

Minha memória guarda o encontro com Dorly na Biblioteca Pública de Guaramirim, local onde trabalhei. Sua presença, mesmo em uma breve conversa no balcão de atendimento, foi suficiente para revelar a paixão que o consumia: a poesia.

Dorly transforma a escrita em um portal para a liberdade, um escape da realidade mundana. Cada verso é um refúgio, um bálsamo para a alma. A linguagem se torna um instrumento de fuga e prazer, permitindo ao poeta explorar as profundezas de seus sentimentos e pensamentos.